Palavra de ontem... na vida do hoje

Aqui serão deixadas reflexões sobre o sentido das Escrituras: a Palavra que se diz de Deus é e será sempre fruto da atenção de pessoas de carne e osso dedicaram ao "que se passou nestes dias" (como dizem os discípulos a Jesus a caminho de Emaús, Lc 24)

sábado, maio 05, 2007

Sites de Reflexão sobre a Palavra

Aqui ficam alguns contributos para a reflexão e o conhecimento da Palavra do Domingo:

-http://www.paroquias.org/capela/armellini.php

-http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/dehonianos/800/800.htm

-http://asoscomeles.blogspot.com/


Boa leitura!

Teodoro Medeiros

sábado, março 03, 2007

Domingo II da Quaresma




Lucas 9:28-36 Uns oito dias depois destas palavras, levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. 29Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. 30E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, 31os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. 35E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.» 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.


Muitas vezes se pensa que Jesus era uma pessoa pacífica e calma: por causa disso, indica-se que o cristão também deve ser muito calmo. Há razões válidas para se defender a paz de espírito, e é verdade que o histerismo é insuportável. Mas a verdade é que o Filho de Deus não era uma figura veneranda que encaixava todos os golpes baixos: ele era olhado como alguém muito determinado. Lucas conta que logo na sua primeira intervenção em Nazaré Ele conseguiu deixar todos furiosos e com desejo de o matar, Lc 4, 29! Quando era criticado Ele fazia autênticos discursos críticos, Lc 11, 39-52.


É fácil entender que havia muita discussão sobre Ele: muitos não gostavam do seu estilo de vida nem das suas ideias. Era mesmo muito difícil admitir que fosse pessoa de bem um homem que não parava de criticar tudo e todos! Onde estava a verdade? Quem era este Jesus? O que queria? No episódio da transfiguração está projectada a luz da Páscoa sobre o período da vida terrena de Jesus. Porque é que Moisés e Elias aparecem? Porque eram dignos representantes da sagrada tradição de Israel... mas eles conversam com este Jesus porque Ele é o Filho Eterno do Pai. É a verdade que João descreve no seu prólogo com uma linguagem filosófica: Ele é igual a Deus, Ele é Deus (cf. Jo 1, 1).


Lucas usa símbolos simples e eficazes:


-o monte é um lugar de revelação por excelência (Ex 3, 1: a sarça ardente; Ex 19, o Sinai);
-o rosto e as roupas que se tornam diferentes lembram Moisés depois de descer do Sinai: quem o via ficava com temor, Ex 34, 30.
-as tendas podem recordar a tenda do encontro, lugar de segurança para o povo no deserto. Há aqui a repetição do contraste entre Moisés e Jesus: a salvação não é pacífica, mas vem através da sua morte em Jerusalém, Ex 27, 21.
-o sono e o medo recordam a primeira leitura: como Abraão, estes discípulos são envoltos num torpor estranho... a presença de Deus assusta aqueles que não estão preparados para assumir todas as consequências. O mesmo acontece a Jacob, Gen 28, 16-17.
-a coluna de nuvem tinha conduzido o povo para fora do Egipto, Ex 13, 21. Era a presença de Deus porque Ele estava nessa coluna.


O ponto mais importante é a declaração que explica o ponto de vista divino: ninguém é mais próximo de Deus do que este homem. Contra as dúvidas que surgiam, a verdade brilha e ilumina cada um dos que a procura. Não foi o povo que impôs a Deus o que queria e o que esperava: foi Ele que apresentou uma novidade, para transformar as consciências.
A mentalidade humana está sempre preocupada com coisas pequenas e insignificantes: quando é confrontada com os pensamentos de Deus, pode sentir-se tremer um pouco. A novidade que Deus representa é mesmo razão para se sentir medo e insegurança.


Mas o caminho está traçado: é maior bem aventurança dar do que receber (frase atribuída por Paulo ao Senhor em Act 20, 35). A transfiguração constrói-se em volta da dificuldade em ver em Jesus mais que um homem... e responde a esse desafio porque a sua vida não seguia uma perspectiva de grandeza ou sucesso.


E a nós, o que impede de ver a glória de Cristo?

Boa semana!

Teodoro Medeiros

sábado, fevereiro 17, 2007

Domingo VII do tempo comum




1º Samuel 26, 2.7-9.12-13.22-23

1ª Coríntios 15,45-49

Evangelho segundo S. Lucas 6,27-38.

«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»



Temos nestes Domingos o discurso correspondente ao sermão da montanha em Mateus (aqui é o sermão da planície, Lc 6, 17).

É um tratado que inclui o chamado dos discípulos, mas também
orientações para os mesmos. A ambiguidade sobre a quem Jesus se dirige (à multidão ou só aos discípulos? Cf. 6, 17.20; 7, 1), mostra que se tratam de orientações para os dois grupos: não são princípios só para os que seguem Jesus "de mais perto", mas são realidade para todo aquele que recebe nome a partir de Cristo.

Em consonância com as bem aventuranças, explica-se o que é que é diferente no cristão; o que é próprio desse nome e que está em contraste, quando não em paradoxo, com o que não é!

Em 6, 32.33.34, a pergunta "que agradecimento mereceis?" pode ser traduzida de forma mais fiel ao texto, por exemplo:

-"Que tipo de graça divina é essa?" Ou:

-"Isso pode ser considerado como fruto da graça?"

Ou seja, não baste fazer algumas coisas e já está: o cristão não é apenas uma boa pessoa, mas é alguém que foi transformado. Há uma vida interior que transparece... o bem não é feito por hábito, por vaidade ou para tirar dividendos!

O "não julgar" do v. 37 deve ser explicado. A palavra usada é rica em mais significados, negativos: não estabelecer preferências; não estabelecer como mau; não condenar. O julgar simples não está excluído (apurar responsabilidades, evitar situações de alienação e degradação). Mas ninguém tem o direito de "carimbar" ninguém! Se o próprio Deus não condena, quem se pode achar no direito de o fazer?

Usando palavras tão diferentes como amar e emprestar, mostra-se que não há limites para o bem: é uma realidade infinita. Mas é o único caminho que existe...

Não fomos chamados a aumentar o nosso salário;
não se recebe garantia de não se ser apontado, por isto ou por aquilo;
nunca se chegará a pôr em prática todo o evangelho.

Só Deus é verdadeiro

porque procura sempre;
porque perdoa sempre;
e nunca condena;
porque ensina a ser como Ele é,
e a salvar!


Boa semana e bom Carnaval!

Teodoro Medeiros

sábado, fevereiro 10, 2007

Domingo VI, Tempo Comum, 11 de Fevereiro




Jeremias 17,5-8
1 Cor 15,12.16-20
Lucas 6, 17.20-26



O texto de Lucas apresenta 4 bem aventuranças e 4 ais. Um estudo histórico-crítico revela que ele se terá mantido mais fiel do que Mateus ao material que lhe foi transmitido: as bem-aventuranças deste último evangelista são mais numerosas, e, ao que parece, mais influenciadas pelo AT.
O AT também apresenta bênçãos e bem-aventuranças (macarismos): o texto de Tb 13, 15-16 aproxima-se do nosso (Ditosos os que se entristecem a teu respeito, por causa dos teus castigos, pois alegrar-se-ão em ti).
Os ais do At são referidos normalmente ao julgamento de Deus, como em Is 5, 8.

A maior dificuldade da interpretação das bem-aventuranças é esta: pobreza e choro são o ideal de vida cristã? Temos de responder não, até porque o mesmo Lucas refere algo bem diferente em Act 2, 44: todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum.


A restauração do povo foi sempre esperada: em vários momentos Israel se sentiu pobre e faminto. Essa esperança continuou até aos dias de Jesus: mas foi alvo de uma re-interpretação e não apenas espiritual. Não se trata realmente de ser "pobre em espírito", Mt 5, 3, mas sim de ser-se livre para viver neste mundo segundo o reino que Cristo apresenta.

Os ais revelam que há coisas que passam e há outras que ficam para sempre: todos os que põem a confiança no exterior caminham para a desilusão. O dinheiro compra tudo menos a felicidade e o amor.
Se não houver cuidado, os objectos é que se tornam donos das pessoas.

O convite é de humildade: os pobres têm sempre mais para receber. Também quem reconhece em si próprio a radical pobreza, pode receber mais. Quem louva Deus pelas suas fraquezas é um discípulo mais fiel. Parece um contrasenso, mas os defeitos tornam a pessoa mais verdadeira, e mais próxima de Deus: é a única maneira de evitar a vaidade. Virar as costas a Deus e pensar que não se precisa dele.

Todo o bem que é feito não se deve às próprias forças: tudo é dom a
partilhar.

Boa semana!

Teodoro Medeiros

sábado, janeiro 13, 2007

14 de Janeiro -Domingo II do tempo comum (semana II do saltério)













Livro de Isaías 62,1-5

1ª Carta aos Coríntios 12,4-11

Evangelho segundo S. João 2,1-12

Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá.
Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda.
Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»
Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.»
Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!»
Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma.
Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.»
Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa.»
E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a água; chamou o noivo
e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
Assim, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com o qual manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele.
Depois disto, desceu a Cafarnaúm com sua mãe, os irmãos e os seus discípulos, e ficaram ali apenas alguns dias.



O milagre de Caná

Jesus realizou obras que espantaram os seus contemporâneos. Sabendo que assim tinha sido, João conta alguns destes momentos mas chama-lhes sinais... estes momentos reflectem sempre uma verdade de fé!
Um exemplo disto mesmo é o capítulo nove, onde a cura de um cego de nascença ocupa todo um capítulo: as reacções dos pais do cego e das diferentes pessoas representam os diversos tipos de atitude perante a Luz do Mundo (a tal luz que "veio para o que era seu e os seus não o receberam" Jo 1, 11).

Assim, é errado pensar que o evangelista apresenta as bodas em Caná como algo que tem valor por si próprio... João sabia que Jesus tinha feito "muitas outras coisas" e que o mundo não teria espaço para os livros necessários para as escrever uma por uma (cf. a conclusão do Evangelho, Jo 21 25)!

Estranho é que o mesmo João tenha falado apenas de 7 milagres... não poderia ter encaixado mais um ou dois na sua narrativa? Só 7? 7 é o número da plenitude e isso já demonstra a intenção do autor sagrado...

Como nos recorda a primeira leitura, o esposo de Israel era Deus: muitas vezes Ele promete vida nova a esta esposa que o esqueceu. Por isso mesmo Isaías diz que passa o tempo do abandono e a terra será chamada de predilecta e desposada. Notemos que isto era um tema comum a vários profetas e tinha impacto junto do povo no tempo de Jesus.

Assim, em Caná, Jesus revela a sua glória: a de que através dele Deus quis renovar as suas núpcias!... Não há portanto espaço para tristezas: as 6 taças cheias conteriam cerca de 600 litros de vinho! Chegou já a abundância dos tempos messiânicos! Depois do vinho médio de tudo o que veio antes dele, Jesus dá a conhecer tudo o que ouviu de seu pai (por isso já não chama escravos, mas amigos! Jo 15, 15).

Vale a pena mencionar a conversa da mãe e do Filho: -"que temos nós a ver com isso?" -"Ainda não chegou a minha hora." -"Fazei tudo o que Ele vos disser!" Não se diz o nome da mãe: é a técnica joânica de deixar o espaço em aberto de forma a cada um poder escrever o seu próprio nome (o exemplo mais claro disso é o discípulo amado, exemplo para os de todos os tempos e lugares!). A mãe é imagem da comunidade crente: são estes os que estão disponíveis para fazer a festa do reino e abrem as portas aos outros (daí o "fazei tudo o que Ele vos disser").

O episódio responde à pergunta de Jesus: Ele tem o vinho que deve ser servido (o amor conjugal do Pai por todos)... os que acreditam ajudam os outros a saber esperar pela fonte da alegria!....

Boa semana!

sábado, dezembro 16, 2006

Domingo III do Advento: 17 de Dezembro




1ª leitura: Sofonias 3,14-18

2ª leitura:Filipenses 4,4-7

Evangelho: S. Lucas 3,10-18


E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?»
Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.»

Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?»
Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.»

Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»

Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias,João disse a todos: «Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo.
Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.»

E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.


A evolução da técnica e os meios de que dispomos hoje em dia são maravilhosos: torna-se fácil o que até há anos parecia impossível!
Mesmo assim,de alguma forma, é essa evolução que nos limita: já não sabemos viver sem muitas destas coisas. Há uns anos, qualquer pessoa sabia semear umas alfaces, por exemplo, e hoje só indo comprar.
É claro que se ganhou em muitos sentidos, mas também se perdeu.

João Baptista lá ia aconselhando os do seu tempo a tomarem precauções: querem baptizar-se? Isso está muito bem, mas não se esqueçam de fazer o trabalho de casa!... Uma certa justiça: vamos lá a ver... és rico? Partilha metade do que tens! Tens direitos sobre muita gente? Bom, vê lá se os exploras, que é o que muita boa gente gosta de fazer!

E olhem que o que vem aí, o Messias, é ainda mais exigente do que eu! Esse sim, vai separar o trigo do joio: Ele vai ensinar a tirar as máscaras e olhar olhos nos olhos com o espelho. Ele sabe o que faz!...

Porque será que Deus está sempre a pedir que se reveja como lidamos uns com os outros? Mesmo as nossas boas intenções podem ser... boas... mas incompletas! É um desafio para o cristão que prepara o Natal: prepara-se para receber ou para oferecer? Oferecer com interesse?

Há dias uma revista que anunciava uma invenção interessante: o casaco dos abraços, à distância!... Cada pessoa que o usar vai sentir o calor e a força dos abraços que os seus amigos lhe enviaram. É uma imitação interessante: mas pode alguma vez substituir o original?

O que mais falta ainda evoluir até ficarmos sem nada?

Boa semana!

Teodoro Medeiros

sábado, dezembro 09, 2006

II Domingo do Advento




Leituras bíblicas:

Baruc 5, 1-9

Filipenses 1, 4-6.8-11

Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena,
sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto.
Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados,
como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas.
Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos.
E toda a criatura verá a salvação de Deus.'»



As promessas são algo que pode definir o que pensamos sobre uma pessoa: a quem me deu muitas vezes garantias mas poucas vezes cumpriu, considerarei um fraco amigo... algumas sociedades têm grande consideração pela ideia da honra. Aí, quem falha à sua palavra bem pode decidir pôr termo à sua vida porque se tornará insuportável o peso dos olhares que lhe serão lançados!

Assim, é melhor ter cuidado em não prometer aquilo que não se consegue cumprir: evita-se o embaraço de ter de pedir desculpas, ou mesmo de admitir que não se tem desculpa. É significativo que na parábola dos 2 filhos a quem é pedido que vão para a vinha, não é o que prometeu ir quem cumpre! (Mt 21: 28-31)

E Deus, também promete alguma coisa? E, se promete, cumpre? Ao longo da história salvífica, muitas vezes os profetas anunciaram as promessas de Deus para o povo: em situações de busca de resposta foi aí que se anunciou que o Senhor não ficava fora da equação. É o caso da primeira leitura em que Baruc revela que, depois de um período difícil, as coisas vão mudar. Não será caso para acreditar que todos os problemas serão resolvidos, ou que a responsabilidade pertence toda "ao Deus": se Jerusalém tinha sido destruída até ao alicerce, isso devia-se em grande parte à ingerência dos governantes!

Quando João Baptista cita o texto de Isaías, ele cita também o versículo que nenhum dos outros evangelistas refere: toda a carne verá a salvação de Deus. Estamos em acordo com os restantes textos de carácter escatológico que temos lido neste Advento: o poder de Deus não segue a lógica do domínio, mas isso não lhe tira nada da sua força.

Deus promete que quem acredita n`Ele senti-lo-á sempre do seu lado. Não são palavras para acomodar e anestesiar, mas é a vida interior de quem deseja ser discípulo do Mestre que estava para vir. E será Ele, aquele que ainda não chegara, a seduzir o rebanho com a sua própria voz que inspira confiança, e não com um canto de sereia ou a promessa de uma vida cor de rosa na terra!...

Aquele que acredita vive já a fonte das maiores felicidades!

Bom Domingo e Boa semana!

Teodoro Medeiros