Palavra de ontem... na vida do hoje

Aqui serão deixadas reflexões sobre o sentido das Escrituras: a Palavra que se diz de Deus é e será sempre fruto da atenção de pessoas de carne e osso dedicaram ao "que se passou nestes dias" (como dizem os discípulos a Jesus a caminho de Emaús, Lc 24)

sábado, dezembro 09, 2006

II Domingo do Advento




Leituras bíblicas:

Baruc 5, 1-9

Filipenses 1, 4-6.8-11

Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena,
sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto.
Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados,
como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas.
Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos.
E toda a criatura verá a salvação de Deus.'»



As promessas são algo que pode definir o que pensamos sobre uma pessoa: a quem me deu muitas vezes garantias mas poucas vezes cumpriu, considerarei um fraco amigo... algumas sociedades têm grande consideração pela ideia da honra. Aí, quem falha à sua palavra bem pode decidir pôr termo à sua vida porque se tornará insuportável o peso dos olhares que lhe serão lançados!

Assim, é melhor ter cuidado em não prometer aquilo que não se consegue cumprir: evita-se o embaraço de ter de pedir desculpas, ou mesmo de admitir que não se tem desculpa. É significativo que na parábola dos 2 filhos a quem é pedido que vão para a vinha, não é o que prometeu ir quem cumpre! (Mt 21: 28-31)

E Deus, também promete alguma coisa? E, se promete, cumpre? Ao longo da história salvífica, muitas vezes os profetas anunciaram as promessas de Deus para o povo: em situações de busca de resposta foi aí que se anunciou que o Senhor não ficava fora da equação. É o caso da primeira leitura em que Baruc revela que, depois de um período difícil, as coisas vão mudar. Não será caso para acreditar que todos os problemas serão resolvidos, ou que a responsabilidade pertence toda "ao Deus": se Jerusalém tinha sido destruída até ao alicerce, isso devia-se em grande parte à ingerência dos governantes!

Quando João Baptista cita o texto de Isaías, ele cita também o versículo que nenhum dos outros evangelistas refere: toda a carne verá a salvação de Deus. Estamos em acordo com os restantes textos de carácter escatológico que temos lido neste Advento: o poder de Deus não segue a lógica do domínio, mas isso não lhe tira nada da sua força.

Deus promete que quem acredita n`Ele senti-lo-á sempre do seu lado. Não são palavras para acomodar e anestesiar, mas é a vida interior de quem deseja ser discípulo do Mestre que estava para vir. E será Ele, aquele que ainda não chegara, a seduzir o rebanho com a sua própria voz que inspira confiança, e não com um canto de sereia ou a promessa de uma vida cor de rosa na terra!...

Aquele que acredita vive já a fonte das maiores felicidades!

Bom Domingo e Boa semana!

Teodoro Medeiros