Palavra de ontem... na vida do hoje

Aqui serão deixadas reflexões sobre o sentido das Escrituras: a Palavra que se diz de Deus é e será sempre fruto da atenção de pessoas de carne e osso dedicaram ao "que se passou nestes dias" (como dizem os discípulos a Jesus a caminho de Emaús, Lc 24)

sábado, fevereiro 17, 2007

Domingo VII do tempo comum




1º Samuel 26, 2.7-9.12-13.22-23

1ª Coríntios 15,45-49

Evangelho segundo S. Lucas 6,27-38.

«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»



Temos nestes Domingos o discurso correspondente ao sermão da montanha em Mateus (aqui é o sermão da planície, Lc 6, 17).

É um tratado que inclui o chamado dos discípulos, mas também
orientações para os mesmos. A ambiguidade sobre a quem Jesus se dirige (à multidão ou só aos discípulos? Cf. 6, 17.20; 7, 1), mostra que se tratam de orientações para os dois grupos: não são princípios só para os que seguem Jesus "de mais perto", mas são realidade para todo aquele que recebe nome a partir de Cristo.

Em consonância com as bem aventuranças, explica-se o que é que é diferente no cristão; o que é próprio desse nome e que está em contraste, quando não em paradoxo, com o que não é!

Em 6, 32.33.34, a pergunta "que agradecimento mereceis?" pode ser traduzida de forma mais fiel ao texto, por exemplo:

-"Que tipo de graça divina é essa?" Ou:

-"Isso pode ser considerado como fruto da graça?"

Ou seja, não baste fazer algumas coisas e já está: o cristão não é apenas uma boa pessoa, mas é alguém que foi transformado. Há uma vida interior que transparece... o bem não é feito por hábito, por vaidade ou para tirar dividendos!

O "não julgar" do v. 37 deve ser explicado. A palavra usada é rica em mais significados, negativos: não estabelecer preferências; não estabelecer como mau; não condenar. O julgar simples não está excluído (apurar responsabilidades, evitar situações de alienação e degradação). Mas ninguém tem o direito de "carimbar" ninguém! Se o próprio Deus não condena, quem se pode achar no direito de o fazer?

Usando palavras tão diferentes como amar e emprestar, mostra-se que não há limites para o bem: é uma realidade infinita. Mas é o único caminho que existe...

Não fomos chamados a aumentar o nosso salário;
não se recebe garantia de não se ser apontado, por isto ou por aquilo;
nunca se chegará a pôr em prática todo o evangelho.

Só Deus é verdadeiro

porque procura sempre;
porque perdoa sempre;
e nunca condena;
porque ensina a ser como Ele é,
e a salvar!


Boa semana e bom Carnaval!

Teodoro Medeiros