Domingo VI, Tempo Comum, 11 de Fevereiro

Jeremias 17,5-8
1 Cor 15,12.16-20
Lucas 6, 17.20-26
O texto de Lucas apresenta 4 bem aventuranças e 4 ais. Um estudo histórico-crítico revela que ele se terá mantido mais fiel do que Mateus ao material que lhe foi transmitido: as bem-aventuranças deste último evangelista são mais numerosas, e, ao que parece, mais influenciadas pelo AT.
O AT também apresenta bênçãos e bem-aventuranças (macarismos): o texto de Tb 13, 15-16 aproxima-se do nosso (Ditosos os que se entristecem a teu respeito, por causa dos teus castigos, pois alegrar-se-ão em ti).
Os ais do At são referidos normalmente ao julgamento de Deus, como em Is 5, 8.
A maior dificuldade da interpretação das bem-aventuranças é esta: pobreza e choro são o ideal de vida cristã? Temos de responder não, até porque o mesmo Lucas refere algo bem diferente em Act 2, 44: todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum.
A restauração do povo foi sempre esperada: em vários momentos Israel se sentiu pobre e faminto. Essa esperança continuou até aos dias de Jesus: mas foi alvo de uma re-interpretação e não apenas espiritual. Não se trata realmente de ser "pobre em espírito", Mt 5, 3, mas sim de ser-se livre para viver neste mundo segundo o reino que Cristo apresenta.
Os ais revelam que há coisas que passam e há outras que ficam para sempre: todos os que põem a confiança no exterior caminham para a desilusão. O dinheiro compra tudo menos a felicidade e o amor.
Se não houver cuidado, os objectos é que se tornam donos das pessoas.
O convite é de humildade: os pobres têm sempre mais para receber. Também quem reconhece em si próprio a radical pobreza, pode receber mais. Quem louva Deus pelas suas fraquezas é um discípulo mais fiel. Parece um contrasenso, mas os defeitos tornam a pessoa mais verdadeira, e mais próxima de Deus: é a única maneira de evitar a vaidade. Virar as costas a Deus e pensar que não se precisa dele.
Todo o bem que é feito não se deve às próprias forças: tudo é dom a
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Boa semana!
Teodoro Medeiros

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