14 de Janeiro -Domingo II do tempo comum (semana II do saltério)

Livro de Isaías 62,1-5
1ª Carta aos Coríntios 12,4-11
Evangelho segundo S. João 2,1-12
Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá.
Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda.
Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»
Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.»
Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!»
Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma.
Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.»
Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa.»
E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a água; chamou o noivo
e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
Assim, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com o qual manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele.
Depois disto, desceu a Cafarnaúm com sua mãe, os irmãos e os seus discípulos, e ficaram ali apenas alguns dias.
O milagre de Caná
Jesus realizou obras que espantaram os seus contemporâneos. Sabendo que assim tinha sido, João conta alguns destes momentos mas chama-lhes sinais... estes momentos reflectem sempre uma verdade de fé!
Um exemplo disto mesmo é o capítulo nove, onde a cura de um cego de nascença ocupa todo um capítulo: as reacções dos pais do cego e das diferentes pessoas representam os diversos tipos de atitude perante a Luz do Mundo (a tal luz que "veio para o que era seu e os seus não o receberam" Jo 1, 11).
Assim, é errado pensar que o evangelista apresenta as bodas em Caná como algo que tem valor por si próprio... João sabia que Jesus tinha feito "muitas outras coisas" e que o mundo não teria espaço para os livros necessários para as escrever uma por uma (cf. a conclusão do Evangelho, Jo 21 25)!
Estranho é que o mesmo João tenha falado apenas de 7 milagres... não poderia ter encaixado mais um ou dois na sua narrativa? Só 7? 7 é o número da plenitude e isso já demonstra a intenção do autor sagrado...
Como nos recorda a primeira leitura, o esposo de Israel era Deus: muitas vezes Ele promete vida nova a esta esposa que o esqueceu. Por isso mesmo Isaías diz que passa o tempo do abandono e a terra será chamada de predilecta e desposada. Notemos que isto era um tema comum a vários profetas e tinha impacto junto do povo no tempo de Jesus.
Assim, em Caná, Jesus revela a sua glória: a de que através dele Deus quis renovar as suas núpcias!... Não há portanto espaço para tristezas: as 6 taças cheias conteriam cerca de 600 litros de vinho! Chegou já a abundância dos tempos messiânicos! Depois do vinho médio de tudo o que veio antes dele, Jesus dá a conhecer tudo o que ouviu de seu pai (por isso já não chama escravos, mas amigos! Jo 15, 15).
Vale a pena mencionar a conversa da mãe e do Filho: -"que temos nós a ver com isso?" -"Ainda não chegou a minha hora." -"Fazei tudo o que Ele vos disser!" Não se diz o nome da mãe: é a técnica joânica de deixar o espaço em aberto de forma a cada um poder escrever o seu próprio nome (o exemplo mais claro disso é o discípulo amado, exemplo para os de todos os tempos e lugares!). A mãe é imagem da comunidade crente: são estes os que estão disponíveis para fazer a festa do reino e abrem as portas aos outros (daí o "fazei tudo o que Ele vos disser").
O episódio responde à pergunta de Jesus: Ele tem o vinho que deve ser servido (o amor conjugal do Pai por todos)... os que acreditam ajudam os outros a saber esperar pela fonte da alegria!....
Boa semana!
